terça-feira, 24 de setembro de 2013

O mês de setembro e as mobilizações pela preservação do Peró

Capa da petição online retirada do site da Avaaz.org.
O mês de setembro de 2013 certamente será um marco para as lutas ambientais na Praia do Peró. 
Apesar do projeto do complexo hoteleiro ser antigo (2006),  e as batalhas de pesquisadores, ONG's, e cidadãos serem de longa data, foi no mês de setembro que uma série de acontecimentos importantes vieram a tona.    
Com as licenças de instalação em expedidas em 28 de Dezembro de 2012 (!), a empresa Costa Verde começou sua obras no segundo semestre de 2013. O início das obras despertou indignação daqueles que lutaram para que o empreendimento não fosse instalado no meio do campo de dunas do Peró.
No dia 1 de Setembro de 2013, uma pequena petição foi criada no intuito de conseguir assinaturas (https://secure.avaaz.org/po/petition/Parem_com_a_destruicao_das_dunas_do_Pero/) para que as autoridades responsáveis parassem com as obras até que órgãos ambientais se explicassem diante da população. A falta de informação sobre as mudanças ocorridas no projeto e o não pronunciamento, até então, de empresas como o Club Mediterrane sobre suas intensões dentro do projeto preocupava não só a população e como também as autoridades locais. Em 16 de Setembro, o Prefeito de Cabo Frio, Alair Correa, decidiu embargar as obras por "tempo indeterminado". As razões para o embargo foram mais políticas do que propriamente ambientais. Segundo o prefeito, as licenças de instalação teriam duas irregularidades que o fizeram decidir embargar as obras. Em meio a confusão gerada pelo embargo das obras, na noite do dia 21 um incêndio atingiu uma grande área de restinga destinado à construção do Club Med Peró.

Diante dos fatos ocorridos no mês de Setembro a mobilização social a favor da preservação das dunas do Peró cresce cada vez mais. Hoje, dia 24, a petição online atinge 2 mil assinaturas, número considerado bastante expressivo levando-se em conta o caracter local da questão.
O mês ainda não acabou e a luta deve se intensificar cada vez mais. No dia 29 (Domingo) às 10 horas da manhã uma manifestação está sendo programada na frente da estrada do empreendimento, a chamada é para todos!

Não somos contra o turismo na região, nem contra resorts, hoteis ou qualquer coisa do tipo. Somos sim contra a destruição de um dos maiores patrimônios naturais do estado do Rio de Janeiro. Somos a favor da preservação da vida no Peró. Que o turismo venha, mas venha com responsabilidade ambiental. Há muitas áreas para se construir hoteis por perto, áreas realmente degradadas e onde não há espécies endêmicas de fauna e flora, áreas que não são por lei Áreas de Proteção Ambiental. 


                       

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Uma semana após o embargo das obras, incêndio na restinga do Peró.                 Coincidência ou crime?

Registro do incêndio  (Foto: Aquiles Barreto)
No dia 16 de Setembro de 2013 muitos comemoraram a decisão do prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa, de embargar por tempo indeterminado as obras do Resort Peró. O empreendimento, que já tem em mãos as licenças de instalação concedidas pelo INEA (Instituto Estadual do Ambiente), prevê a construção de um complexo hoteleiro no meio do campo de dunas da Praia do Peró. Seis dias após o embargo, na noite de sábado (21/09), uma área de cerca de 250 mil m² de mata de restinga e vegetação de brejo foi vítima de um incêndio.

Estragos provocados pelo fogo  (Foto: Aquiles Barreto)
O incêndio deixou marcas fortes na paisagem. Na manhã do dia 22, o vereador de Cabo Frio, Aquiles Barreto, registrou em imagens a dimensão do estrago. A área afetada pelo incêndio era constituída principalmente por mata de restinga arbustiva densa e vegetação de Taboa (Típica de áreas de brejo), sendo habitat para diversas espécies de fauna e flora endêmicas do Rio de Janeiro, algumas que inclusive se encontram em risco de extinção.

A relação temporal dos fatos levanta sérias suspeitas acerca de um possível caráter criminoso do incêndio. As investigações já foram iniciadas e um boletim de ocorrência (n° 6300/2013) foi aberto pela própria empresa Costa Verde, responsável pela construção do empreendimento. O Laudo da polícia   (n°734/2013) , que deverá apontar as causas do incêndio, tem previsão para sair até o final do mês.

Historicamente, é raro que no nosso país incidentes como este tenham um responsável apontado depois de feitas as investigações. A destruição causada pelo fogo certamente será usada para reforçar o discurso daqueles que acreditam que se trata de uma área degradada sem valor ambiental, e que, por estar abandonada pelo governo, está sujeita a incidentes como este e deve ser destinada a construções de retorno financeiro imediato.

Ao contrário das notícias sobre o embargo das obras do Resort Peró, que tiveram bastante repercussão, tanto pela grande mídia quanto pelas redes sociais, a tragédia do fogo que atingiu a restinga do Peró não teve uma divulgação de peso. As notícias sobre o incêndio se resumem a postagens de fotos no facebook e blogs pontuais. Portanto, temos a obrigação de divulgar essa covardia!

Links relacionados:
http://blogprofessorhamilton.blogspot.com.br/2013/09/incendio-no-apa-do-pero.html


Jabuti encontrado morto após o incêndio  (Foto: Aquiles Barreto).